Memórias do Esquecimento

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A peça, que comemora os 25 anos de carreira de Bruce, está indicada aos Prêmios Shell e Cesgranrio de Melhor Ator, e Cesgranrio de Melhor Iluminação.

 

O livro, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura no ano de 2000, conta em primeira pessoa a história do jornalista Flavio Tavares: um relato descarnado e cru sobre a prisão e a tortura após o golpe militar de 1964 no Brasil. Tavares foi preso três vezes entre 1964 e 1969. Passou por sessões de tortura e foi um dos presos trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, seqüestrado em 1969, episódio que em 2019, completa exatos 50 anos de ocorrido.

“Pergunto-me o que me angustiou mais: ter vivido o que eu vivi, ou ter rememorado, aqui, tudo o que eu quis esquecer? Do que contei, tentei não tirar conclusões e preferi que a narrativa concluísse por si mesma, nessas histórias que não inventei e que foram tão-só refeitas, cosidas no tempo e no espaço, numa fiação paciente e dolorosa”

(Flávio Tavares, “Memórias do Esquecimento”)

  

“Memórias do esquecimento”, peça criada a partir do livro “Memórias do esquecimento”, do jornalista Flávio Tavares, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura no ano de 2000, foi a escolha de Bruce Gomlevksy para comemorar seus 25 anos de carreira. A adaptação é de Daniela Pereira de Carvalho, e a direção do próprio Bruce, que contou com total apoio do jornalista nesta montagem.

A peça rendeu a Bruce indicações aos Prêmios Shell e Cesgranrio de Melhor Ator, além da indicação a Melhor Iluminação (Cesgranrio) para Russinho.

 

O livro é um relato descarnado e cru sobre a prisão e a tortura após o golpe militar de 1964 no Brasil. Tavares foi preso três vezes entre 1964 e 1969. Passou por sessões de tortura e foi um dos presos trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, seqüestrado em 1969, episódio que em 2019, completa exatos 50 anos de ocorrido. Exilado, Tavares esteve no México, na Argentina e, em 1977, ao viajar da Argentina para o Uruguai, foi sequestrado pela repressão uruguaia, sendo torturado e ficando desaparecido por quase trinta dias. Depois, passou mais seis meses em uma prisão nesse país.

 

Seu livro foi escrito muito tempo depois de suas experiências traumáticas, num intenso trabalho de memória em que faz uma reflexão sobre a tortura, o exílio e a sua segunda experiência extrema, fora do país. Reflete, entre outras coisas, sobre os limites existentes para contar aquilo que passou. Uma voz, ainda que trêmula, tentando esboçar possibilidades para o futuro a partir de um presente massacrado pelo passado.

 

Segundo Gomlevsky, que também assina a direção do espetáculo, “as formas de construção do ‘eu’ presentes nessas memórias - como a violência e o trauma - impedem o testemunho, mas ao mesmo tempo criam uma necessidade para a vítima, principalmente como exercício de libertação da dor e também de justiça histórica.

 

Segundo o autor, “é da relação entre memória e esquecimento que tiramos boa parte daquilo que chamamos de força para viver”.

 

O espetáculo chega para a plateia de forma seca, crua, colocando em pauta até que ponto a memória fragmentada de alguém, igualmente fragmentado pela violência, consegue dar contorno a essa experiência nos seus relatos. Esse gênero de literatura trabalha numa tênue fronteira, quase imperceptível, entre história e memória, entre o “real” e a ficção, entre a denúncia e uma espécie de necessidade pessoal de escrever.

 

“Memórias do Esquecimento” não expõe a ferida apenas do ponto de vista particular, ela faz parte de uma memória coletiva que habita na história brasileira, porque até hoje apresenta resquícios sociais que nos atingem direta ou indiretamente. O espetáculo busca o pensamento crítico, a reflexão sobre a história contemporânea do país, onde a democracia, lema base para a vida em sociedade, não se fazia presente. É importante relembrar isso nos dias de hoje, em que vivemos numa sociedade polarizada, com discursos de ódio e intolerância, para que não se repitam os erros do passado.

FLAVIO TAVARES – autor do livro
 

Jornalista e escritor. Ex-militante da esquerda partidária da luta armada, foi um dos presos políticos trocados pelo embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, à época da ditadura militar brasileira. Na juventude, foi aluno de colégio marista e ligado à Ação Católica. Aos 20 anos, Flávio foi eleito presidente da União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Sul. Formou-se em Direito, mas nunca atuou como advogado, trabalhando desde cedo na área de jornalismo. Foi comentarista político do jornal Última Hora, de Samuel Wainer, quando cobriu eventos importantes pelo jornal, como a Conferência da Organização dos Estados Americanos, em Punta del Leste, Uruguai, em 1961. Lá conheceu Ernesto Che Guevara, que era o delegado de Cuba. Foi também um dos fundadores da Universidade de Brasília. Ligado ao então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, Tavares foi preso pela primeira vez logo após o golpe militar de 1964. Foi solto logo depois. Entre 1967 e 1969, foi novamente preso, acusado de participar de uma ação armada para libertar presos políticos na Penitenciária Lemos de Brito, no Rio de Janeiro. Em setembro de 1969, foi enviado para o exílio, no México, no grupo de prisioneiros trocados pelo embaixador Elbrick, sequestrado por integrantes das organizações clandestinas Dissidência Comunista da Guanabara e da Ação Libertadora Nacional.

 Obras publicadas: “Memórias do Esquecimento”, Globo, 1999 [ed. atual L&PM, 2012], Prêmio Jabuti 2000, na categoria Reportagem; “O Dia em que Getúlio Matou Allende”, Record, 2004, Prêmio da APCA 2004, na categoria Não Ficção e Prêmio Jabuti 2005, na categoria Reportagem e Biografia; “O Che Guevara que Conheci e Retratei”, RBS, 2007; “1961: O Golpe Derrotado”, L&PM, 2012; “Meus 13 dias com Che Guevara”, L&PM, 2013; “1964: O Golpe”, L&PM, 2014; “As três mortes de Che Guevara”, L&PM, 2017. Escreveu também o roteiro do documentário O Dia que Durou 21 Anos (2012), dirigido por seu filho, Camilo Tavares.

 

BRUCE GOMLEVSKY – ator e diretor

 

Bruce Gomlevsky é ator, produtor e diretor teatral, trabalhando em teatro, cinema e televisão há 25 anos. É vencedor de diversos prêmios de teatro como melhor ator e diretor. Participou de mais de 50 espetáculos e entre seus principais trabalhos como ator e diretor em teatro destacam-se: “Uma Ilíada”, de Lisa Peterson e Denis O’Hare (Prêmio Censgranrio de melhor ator); “O homem travesseiro”, de Martin Mc Donagh (prêmio APTR de melhor direção e melhor espetáculo 2012); “A volta ao lar”, de Harold Pinter; “Cyrano de Bergerac”, “Renato Russo, o musical” (em cartaz até hoje, e indicado ao Prêmio Shell de melhor ator 2007), visto por 300 mil pessoas em mais de 40 cidades brasileiras; “O Diário de Anne Frank”, “Timon de Atenas”, de Shakespeare, com Vera Holtz, entre outros. É fundador e diretor artístico da Cia Teatro Esplendor no Rio de Janeiro.

Ficha Técnica

Texto

Flávio Tavares 

 

Adaptação

Daniela Pereira de Carvalho e Bruce Gomlevsky 

 

Direção e Interpretação

Bruce Gomlevsky 

 

Figurino

Maria Duarte 

 

Iluminação

Russinho 

 

Cenário

Bruce Gomlevsky 

 

Programação visual

Rita Ariani 

 

Foto

Dalton Valério 

 

Patrocínio

Caixa Econômica Federal e Governo Federal

Direção de Produção

Luiz Prado 

 

Realização

LP Arte/  BG ArtEntretenimento

 

Assessoria de Imprensa

JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

Temporada​

Teatro Poerinha

02 a 28 Outubro 2018