Street Art - Um panorama urbano

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O inglês Banksy, os franceses Jef Aerosol e Rero, os portugueses Vhils e ±MaisMenos±, os brasileiros Nunca e Herbert Baglione, a dupla italiana StenLex e o seu conterrâneo Pixel Pancho e os irmãos americanos HowNosm  mostram recorte significativo da história do grafite mundial. Em destaque, a diversidade de técnica e estilos - estêncil, pôster, colagem, instalações, esculturas entre outras.

 

Inédita no Brasil e realizada entre os anos de 2014 e 2015 a mostra coletiva STREET ART - um panorama urbano percorreu as unidades da Caixa Cultural das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília apresentando trabalhos de artistas representativos da street art da atualidade.  

 

A mostra traz uma peça exclusiva de Banksy. A obra EVERYDAY A FRESH LOAD OF COMPROMISE – 2006, peça única, foi gentilmente cedida por um colecionador. O artista inglês, cuja verdadeira identidade é desconhecida, é famoso pelas ações explicitamente políticas, que chamam a atenção do mundo, como pintar painéis irônicos no lado palestino do muro que separa a Cisjordânia de Israel. Além dela, mais um trabalho do artista estará na exposição.

 

Todos os outros artistas criaram peças especialmente para a exposição. “A ideia é que tivessemos peças inéditas desses artistas, alguns deles realizando trabalhos que reflitam o olhar deles para o Brasil” explica Luiz Prado, produtor do projeto.

 

Segundo a curadora Leonor Viegas, outro diferencial é que os artistas tiveram liberdade para trabalhar. “Diferente de uma exposição em galeria, onde muitas vezes o objetivo principal é a venda, estamos dentro de um museu, onde todos tiveram liberdade de expressão para criar. Existe uma transposição do espaço público para outro contexto onde todos se adaptam de diferentes formas.”

 

Após visitar a exposição Au – de là du Street Art (Para Além da Rua), realizada em 2012, no Muséede La Poste, na França, Luiz Prado ficou impressionado com a reunião de grandes nomes da street art numa mostra coletiva. “No caso da França, havia um interesse maior em dar destaque à cena francesa. Eu queria fazer uma exposição mais cosmopolita, que pudesse mostrar esse panorama de arte no mundo. Convidei, então, a Leonor Viegas, produtora e curadora, natural de Portugal, para levantar o projeto. Ela tem grandes experiências com artistas e intervenções urbanas, principalmente em Portugal. Nossa ideia foi realmente traçar um panorama do street art no mundo, mostrando os artistas que têm uma intensa produtividade e que são referências neste universo”, explica.

 

A curadora dedicou atenção para a diversidade de técnicas e estilos. “Temos o Vhils, um artista jovem e que já tem sua arte espalhada pelo mundo, que usa a destruição para a criação da sua obra, uma técnica muito original. Artistas que utilizam o estêncil, caso do Jef Aerosol, um dos pioneiros da arte urbana no início dos anos 80 e uma referência para os artistas da nova geração, que, aos 57 anos, de idade continua em atividade. Colagem, como a dupla StenLex; trabalho centrado na tipografia como o Rero; o estilo etnográfico do Nunca e que faz parte da história do grafite no Brasil ou ainda o ±MaisMenos±, que utiliza inúmeros vídeos que se tornam virais para espalhar a sua mensagem. Todos eles tiram sua inspiração das ruas e da atual sociedade de consumo, oferecendo seus pontos de vista, bem diferentes de artista para artista”, explica Leonor Viegas.

 

A exposição, com os maiores representantes da arte urbana na atualidade, pretende mostrar um recorte do movimento que acontece com força nos dias de hoje. Para a curadora, um dos objetivos é “levantar a discussão do que é street art hoje e como o mercado do segmento está aquecido. As obras de arte desses artistas mantêm seu fervor político, social e, ao mesmo tempo, são pop. Dialogam muito bem com o público, são extremamente divulgadas nas redes sociais. É uma arte que vem da rua e que transita na rede, é arte para ser vista e popularizada.”

 

 

A criatividade da street art, entre as décadas de 1940 e 1960, dá início a um movimento que, com o decorrer dos anos, vem promovendo uma saudável batalha entre estilos que torna a arte urbana cada vez mais rica. Muros, paredes e painéis do mundo todo passaram a ganhar cor com seus movimentos. Na década de 60, artistas americanos e europeus começaram a usar a rua como canal de expressão. Cidades como Paris, Londres, São Paulo e Miami tornaram-se referência neste contexto. As intervenções urbanas ganharam forma em paredes de concreto ou tijolo, mas também em fachadas de vidro, tapumes de construções e carcaças de bondes do transporte público. 

 

A arte se expandiu para além dos muros, placas de metal, telas e fragmentos de pôsteres. As técnicas usadas pelos artistas são as mais ecléticas. Este contexto inspira, desafia e confirma o poder da arte urbana, que, mais do que arte, pode ser vista como um movimento social e retrata uma geração. 

 

O grafite ganhou o mundo com as mensagens sociais, políticas e artísticas. A street art foi além da rua e chegou aos museus. Um indício de que a arte urbana está chegando ao mainstreen é o fato de que marcas globais estão adotando a linguagem como ferramenta e instrumento de comunicação de marketing. 

 

No Brasil, o segmento ganha cada vez mais espaço. A arte urbana, que é vista como um museu a céu aberto, muda a paisagem da cidade praticamente todos os dias com suas criações coloridas e complexas, que cobrem as paredes de casas, restaurantes, pontes, aquedutos e até mesmo arranha-céus de São Paulo. 

 

Durante muito tempo houve uma enorme marginalização deste movimento no Brasil, uma vez que o mesmo estava intimamente ligado ao movimento de protesto, da pichação com slogans políticos ou nomes de grupos escritos no topo de prédios desafiando a lei da gravidade em escaladas sem qualquer tipo de segurança. 

Ficha Técnica

 

Curadoria e texto 

Leonor Viegas

 

Coordenação Geral

Luiz Prado

 

Artistas

Banksy

Jef Aerosol

Rero

Vhils 

±MaisMenos±, 

Nunca 

Herbert Baglione

StenLex 

Pixel Pancho 

HowNosm

 

Coordenação de produção

Leonor Viegas e Luiz Prado

 

Design de Luz 

Adriana Milhomem | Luz em Formas

 

Design Gráfico

Vasco

Temporada​s

Caixa Cultural São Paulo

22 Fevereiro a 20 Abril 2014


Caixa Cultural Rio de Janeiro

02 Agosto a 05 Outubro 2014

Caixa Cultural Brasília

20 Novembro 2014 a 11 Janeiro 2015

Clipping

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